Reflexões

“A forma como falas com os teus filhos, torna-se a sua voz interior” (Peggy O’Mara) (02-Fevereiro-2022)

Esta frase traz muita responsabilidade.

Se olharmos bem para ela, se a integrarmos e sentirmos o seu impacto, percebemos como vibra em todas as células.

Tudo aquilo que dizemos, acerca deles, dos seus comportamentos, sobre as pessoas, sobre as raças, sobre as escolhas dos outros, sobre o trabalho, sobre o dinheiro, sobre as relações, sobre o Mundo (…) Torna-se aquilo que, inconscientemente, determinará as suas escolhas, as suas opiniões, a sua identidade, a sua autoimagem, a sua autoestima. Tudo coisas que têm um impacto enorme no seu futuro, na forma como se irão posicionar na vida, na capacidade de assumir responsabilidade, na capacidade de seguirem os seus sonhos, de se manterem curiosos pela vida, nas pessoas que se vão tornar!

Estejamos atentos à voz interior que estamos a criar dentro dos nossos filhos, de todas as crianças. Essa é a nossa responsabilidade. O resto, deixamos com eles. Para que também possam ser responsáveis pelas suas vidas.

De certo nem todos os dias teremos o mesmo grau de consciência e tudo certo! Também isso faz parte da nossa aprendizagem e da deles. 

Não nascemos para sermos perfeitos mas sim, conectados. Com quem somos com quem queremos ser e com a vida! Isso por si só, já é “perfeito”!


Receber e agradecer (31-Dezembro-2021)

É chegado o último dia do ano! E que ano! 

Se por vezes parece que demorou uma eternidade a passar, noutros momentos, parece que passou a voar! 

Foi um ano intenso para a maioria das pessoas. Muitas mudanças na vida pessoal, na vida profissional. Muitos confrontos com os nossos medos, dúvidas, inseguranças mas também, muitas alegrias. Projetos a nascer, famílias a aumentar, descobertas maravilhosas, encontros e reencontros com as pessoas que amamos e que nos nutrem!

Eu escolho olhar para este ano como mais um mestre na minha aprendizagem e no meu crescimento.

As coisas que acontecem para nós nem sempre são as que desejamos mas são sem dúvida as que precisamos! São estes guiões que nunca lemos que nos trazem a capacidade de os “representar” e de ampliar a nossa capacidade de nos adaptarmos a eles.

Está na responsabilidade de cada um, escolher como quer viver, como quer sentir, como quer agir, como quer olhar o que a vida nos devolve!

Não há receitas mágicas mas podemos sempre escolher o amor em vez da dor. Transformar o que dói no remédio para a nossa cura!

Eu recebo e agradeço tudo o que a vida me devolveu neste ano que passou e apenas desejo que o próximo me traga todas as bênçãos divinas para a minha aprendizagem! Que 2022, ano de afetos, família, amor e coragem, traga tudo o que preciso para me melhorar como pessoa, como mulher, como mãe, como filha, como companheira, como amiga, como aprendiz!

Recebo e agradeço a vida que me foi dada, honrando-a com a minha vontade de viver apesar de todos os desafios!


Conhecemos os nossos filhos? (09-Dezembro-2021)

A maior parte de nós, faz decisões diárias mediante aquilo que acredita ser o melhor para os seus filhos.

O que vestir, o que comer, a que horas devem ir dormir, quando podem brincar, quando podem rir, quando podem gargalhar, quando podem estar em movimento, quando devem estar quietos, qual a melhor escola, qual o melhor tempo livre… Uma lista interminável de coisas que decidimos e que acreditamos serem as melhores para eles.

Nestas decisões, na maior parte das vezes, cabe a nossa vontade, aquilo que acreditamos. À luz da nossa experiência, das nossas vivências, do que esperamos deles! Sim, da expectativa que criamos muitas vezes acerca dos nossos filhos. E vamos arranjando as suas vidas para que caibam nessa visão.

Naturalmente, muitas das decisões cabem-nos a nós Pais. É essa uma das nossas funções mas, muitas são as vezes em que nos esquecemos de olhar para eles e vê-los. Ver quem são, enquanto pessoas. 

Para isso temos que os conhecer e a única forma de isso acontecer é através do diálogo. Da comunicação aberta, da curiosidade pelo mundo dos sonhos dos nossos filhos. O que os faz sonhar, florescer, quais as suas preocupações, quais os seus medos, que coisas pelas quais gostariam de ser responsáveis… Perguntas para que nos mostrem o seu mundo interno, saindo nós do mundo externo onde nos colocamos. 

Eu sei aquilo que conheço, por isso, até os conhecermos, nada sabemos! 

“O diálogo é a única moeda de troca da família” (Augusto Cury)


Partes de mim (24-Novembro-2021)

Quanto mais me vejo, mais reconheço que não me conheço por inteiro.

Cada vez mais encontro e reconheço partes minhas. Partes essas que esqueci, outras que escondi e outras que nunca tinha visto com olhos de ver.

O mais mágico é que a vida nos coloca as pessoas e as situações certas para que seja possível ver, reconhecer e acolher todas as partes.

As coisas mais bonitas, ou que nós achamos bonitas, são fáceis e até saborosas de integrar. A verdade é que para as reconhecermos temos que conhecer o seu oposto, ou como se diz muito hoje em dia, a sombra.

Considerando um dos princípios universais que diz que, tudo o que tem uma parte visível, tem também uma parte invisível e que quanto maior é uma, maior é a outra, fica fácil de imaginar o que virá.

Vem a vida e coloca-nos frente a frente conosco. Traz gentilmente uma parte nossa que estava desintegrada e que para bem da nossa evolução, deverá ser incluída e abraçada.

Este abraço nem sempre é fácil de dar. Para isso eu preciso de dizer em voz alta, eu também sou isto. Eu também sou a que se irrita, a que tem raiva, a que não sabe tudo, a que tem medo de ser rejeitada, a que é arrogante, a que falha imenso…o que for!

Quanto maior for a flexibilidade em aceitar e reconhecer todas as partes de nós que se vão revelando, menor é a dor. “Resistência é sinónimo de falta de conexão”. Isto significa que se resisto a partes minhas, não estou conectada comigo e se não estou conectada comigo, não sou inteira!

Se não sou inteira, não sou mãe por inteiro, não sou filha por inteiro, não sou mulher por inteiro, não tenho relacionamentos inteiros… 

É andar sempre com a sensação de que nos falta alguma coisa… E falta, faltamo-nos a nós!

A lei universal da impermanência diz que nada dura para sempre, por isso, o desconforto que podemos tocar ao olhar mais uma parte nossa, também vai passar! E, a cada dia, o nosso Ser, o nosso Eu, estará no caminho da unidade consigo!

A partir de hoje, abraço e reconheço todas as minhas partes que se revelaram e que se vão revelar, no meu tempo, com consciência e amorosidade.

Quero ser inteira, não perfeita!

tempo (17-Novembro-2021)

O tempo… Aquele que muitos procuramos ter mais, aquele que parece que foge por entre os dedos, aquele que para muitos outros, existe de sobra… O tempo! Algo que usamos para medir o nosso dia-a-dia. Algo útil e mensurável.

Aquilo que muitas vezes esquecemos acerca do tempo, é que é o bem mais precioso que temos. Não se compra tempo, não se vende, não dá para trocar por nenhum outro bem. 

Todos viemos com um tempo, o nosso. Cada segundo que passa, não volta a existir. Cada hora que passa, não se volta a repetir. E nesse tempo aquilo que aconteceu foi a vida! Passou um determinado tempo da nossa vida, da nossa existência aqui.

Ao falar com um amigo dei por mim a refletir acerca disto. Sobre o tempo, como é importante olhar para ele como um indicador de vida e não como algo útil que serve os nossos afazeres.

De que forma utilizo o meu tempo? Estou a viver ou a sobreviver? Olho para o tempo como uma benção ou como algo que me é escasso? Se o tempo me foge a vida também…

Olha para o tempo como a tua vida! Cada segundo conta para a tua existência. Cada segundo é um marco na tua evolução. É urgente deixar uma marca positiva na vida das pessoas que nos rodeiam, com o tempo que nos resta. 

“Não tenho tempo…” É algo que se ouve e se repete muitas vezes. A verdade é que ele existe, da mesma forma para todas as pessoas! A diferença está como sinto e vivo o meu tempo. Se correr atrás do tempo, ele vai correr atrás de mim e vamos sobreviver nesta correria. Se o viver, ele vive através de mim. O meu tempo torna-se a minha vida e a minha vida o meu tempo!

Cada um de nós, é o tempo que resta na vida de cada um. Escolhe viver!


presente consciente (10-Novembro-2021)

Há momentos do dia, da vida em que é preciso parar e sentir. Apenas isso. Encontrar um lugar onde podemos parar, respirar, sentir o nosso corpo, sentir o que nos envolve e permitir que a presença se instale.

A presença, aquela que nos coloca no momento presente, aquela que nos desliga do passado e que não antecipa o futuro!

Praticar a presença pode ser um desafio mas é urgente escutar o nosso corpo e muitas vezes, silenciar a nossa mente e todas as histórias que nos conta.

Se desejamos relações felizes, únicas, conectadas, reais, verdadeiras, devemos estar presentes. Apenas dessa forma conseguimos comunicar de forma consciente e receber o outro com empatia. 

Na parentalidade consciente e nas relações conscientes em geral, a presença é fundamental. Somos responsáveis por tudo aquilo que pensamos e mais ainda pelos significados que atribuímos a tudo o que nos acontece. 

Quando estamos presentes, aquilo que está a conhecer, acontece pela primeira e última vez. Quando estamos presentes, escutamos o nosso corpo, a nossa mente e tomamos decisões conscientes. Ficamos curiosos com o que surge e não fazemos interpretações. 

A presença é um caminho que se vai construindo diariamente e que privilegia a relação mais importante de todas, a que temos conosco. A partir daí, estamos disponíveis para  poder oferecer esse estado de presença a todas as outras pessoas, em todas as nossas relações.

Imagina a presença como um presente que podes dar a ti todos os dias e partilhar com os outros. Gosto de a imaginar embrulhada num papel de embrulho de amor com um laço de gentileza.

“O presente mais precioso que podemos oferecer aos outros é a nossa presença. Quando a nossa atenção plena abraça os que amamos, eles desabrocham como flores” (Augusto Cury)


Um mundo melhor (03-Novembro-2021)

Parece clichê mas acredito mesmo que é possível construir um mundo melhor. Está ao alcance de todos e podemos fazê-lo a cada passo que damos, a cada decisão que tomamos.

Gostava de trazer a perspetiva de que apenas acreditar não é suficiente. Acreditar é o motor que nos move, é o impulso que podemos tomar em direção a algo. Quando acreditamos só, ficamos no mundo dos sonhos. O mundo onde tudo começa mas que para se tornar real, é preciso efetivamente agir.

Quando agimos, a primeira grande mudança acontece no nosso mundo interno. É exatamente aqui que as resistências podem surgir. Por norma, a mudança expande a nossa consciência e leva a grandes tomadas de responsabilidade. Nem sempre queremos ver o impacto das nossas decisões e comportamentos passados mas, com compaixão por nós, percebemos que também elas fazem parte do processo.

A parentalidade consciente, trouxe-me muita responsabilidade, muita consciência, muita vontade de a partilhar e acima de tudo, um melhor relacionamento com a minha filha e com a generalidade das pessoas que me rodeiam. 

Os valores da parentalidade consciente são transversais a todos os relacionamentos e é  quando os praticamos que começamos a ver materializado os relacionamentos saudáveis e conscientes com que muitas vezes sonhamos.

Como disse no início, é necessário agir. Por esse motivo, decidi dar mais um mergulho nesta matéria que tanto me apaixona. Foram dias intensos em que vivemos intensamente a expressão, activistas por um mundo melhor! 

Continuo a acreditar e continuarei sempre! Acredito porque vivo e sinto a sua expressão na minha vida, na nossa vida, todos os dias!


Ser árvore (18-outubro-2021)

As árvores são quem nos dá a vida, são o pulmão da Terra através do qual respiramos. As árvores são as nossas mestres, que nos mostram e ensinam o propósito e fundamento da vida. Criar raízes – crescer e expandir – abrir os ramos para servir – deixar ir as sementes, para dar continuidade à vida – nutrir os próprios frutos.

As árvores, tal como nós, renovam-se a cada estação. Aceitam o ritmo da vida e independentemente do que está à sua volta, nunca deixam de Ser árvores! 

Fossemos nós capazes de aceitar com tanta simplicidade, os nossos ciclos – a fluidez da vida; as nossas raízes – a nossa família, a nossa sustentação; o nosso tronco – a nossa identidade, quem somos, os nossos valores; os nossos ramos – os nossos dons e competências; as nossas flores – aquilo a que damos vida, aquilo que criamos e, os nossos frutos – aquilo que colhemos a partir de tudo o que semeamos.

As árvores cooperam, formam redes de comunicação entre elas porque sabem e entendem que todas fazem parte. A sobrevivência de uma é a sobrevivência de todas! Tal como nós, todos fazemos parte. Cada um de nós representa uma árvore, uma vida! Em algum momento a rede entre nós foi quebrada e para que seja religada, apenas temos que nos recordar de quem somos!

Quando não te lembrares de quem és, procura as tuas árvores. Nelas estás tu também!

Hoje e sempre, sou a raíz que sustenta e alimenta a árvore da minha vida!

Nela reside todo o meu Ser 🌳

Mudança (12-outubro-2021)

Ouvimos esta palavra imensas vezes. “O Mundo está a mudar”, dizem… “É preciso mudança”… Ficamos alerta, de olhos arregalados para podermos ver essa tal mudança. Olhamos por cima do ombro para ver se acontece espontaneamente e esperamos… Muitos de nós apenas esperam.

Aquilo que não sabemos é que a verdadeira mudança vem de dentro e não de fora! 

É preciso sim a mudança exterior mas nenhuma alteração perdura e produz efeito se não for interna!

Dizer que é preciso mudar isto ou aquilo é importante, mas mais do que isso é fundamental tornarmo-nos nessa mudança! 

Se eu quero um mundo mais ecológico e sustentável, não basta dizer os chavões da atualidade. É necessário transformar as minhas escolhas diárias, e tomá-las de forma ecológica e sustentável.

Se é necessário mudar a escola, o ensino para que seja integrativo, inclusivo, equitativo, tenho que me tornar na pessoa que respeita e vive sobre esses valores!

Mudança assente em palavras, perece e não perdura. 

Já algumas vezes precisei de mudar de vida e para isso, tive que me mudar a mim. Olhar-me e ver o que precisava de mudar para receber a mudança na minha vida. 

A vida ainda agora começou, tenho sede de mudança e Deus me permita mudar todas as vezes que sejam necessárias!

Mudar não é simples, muitas vezes é preciso coragem. É preciso arriscar, é preciso queimar as pontes para trás, é preciso ter medo mas acima de tudo, é preciso ir e estar alinhado com a nossa verdade. Soltar as amarras, respirar fundo, dar o grito do Ipiranga e MUDAR!

Nesta rede em que todos estamos ligados, quando eu mudo, crio o impulso para que mais possam mudar e fazer a verdadeira mudança impulsionadora do Mundo!

O que precisas de mudar?

A determinado momento, todos precisamos dessa renovação que a mudança impulsiona! Não estás sozinho (a)!


PRESENça (06-outubro-2021)

Muitas são vezes que buscamos as palavras certas para dizer. Procuramos algo que, na nossa perspetiva, é adequado, é necessário. A questão é que, aquilo que achamos que vamos dizer ao outro, muitas vezes é importante apenas para nós. Serve um propósito muito mais nosso do que da outra pessoa.

Nem sempre o outro busca palavras, conselhos, opiniões.

Essencialmente procura presença e conexão. Procura alguém que escute, que abrace, que olhe nos olhos e apenas permaneça presente.

Há silêncios que dizem mais do que muitas palavras. Há silêncios que abrem a porta para o mundo da outra pessoa. Só escutando de forma presente e consciente, conhecemos quem temos à nossa frente. Apenas dessa forma nos é possível entrar verdadeiramente no âmago do seu Ser.

Estar presente, implica abdicar da nossa necessidade de ser visto, de ter razão, de ser reconhecido. Implica estarmos ali pelo outro e não por nós! 

Estar presente muitas vezes significa estar vazio de palavras. Estar vazio de julgamentos. Estar conectado com a pessoa e proporcionar-lhe um momento só para si.

Oferecer aquilo que gostaríamos de receber já é um bom princípio.

Hoje, estive só presente. Respeitei a vontade do outro. Escutei a minha necessidade de o salvar e deixei ir. Fiquei só presente até que, em segurança, pudesse adormecer. A presença também cura e o espaço de amor foi criado para que pudesse descansar. 

A presença está repleta de algo muito maior do que aquilo que se pode pronunciar. Está impregnada de amor e de empatia. É a voz da alma que se escuta 🦋


DEsígnios (28-setembro-2021)

De coração aberto e fé em mim! Fé que tudo está certo, tal como está. Fé que tudo faz parte de um plano maior que me coloca sempre no caminho certo. E certo significa que é o caminho a percorrer nesse momento, leve-me aonde levar! 

As dúvidas, as incertezas moram no pensamento de muitos. Faz parte da nossa condição humana. Aquilo que nos diferencia é como voltamos, ou não, ao nosso centro na hora da verdade, na hora do aperto.

Já há muito que se diz, é a fé que nos salva! Fé não é uma religião, fé é acreditar com todas as células do nosso corpo. Fé não é medo, fé é amor! Sabendo que, aquilo que acontece nem sempre será aquilo que queremos mas aquilo de que precisamos.

Por isso, tenho fé na vida, nos desenhos do céu feitos outrora. Tenho fé na sabedoria interna que tudo sabe e tudo acolhe! Visto de lá de cima, tudo é perfeito! 

A vida nunca acaba. Ela recomeça de cada vez que há o último e primeiro respirar!


A NOSSA CASA (21-setembro-2021)

Li recentemente num livro que apenas somos capazes de cuidar de algo, se tivermos oportunidade de nos relacionarmos, de estabelecer uma ligação com esse algo.

Temos várias casas nesta nossa vida. A grande casa – a Mãe terra, a nossa casa física e o nosso corpo.

A forma como nos relacionamos com as nossas várias casas está totalmente interligada. Apenas me consigo relacionar com a grande casa, se estabelecer um vínculo com ela. Se a experienciar, se a sentir, se a observar, se a respeitar, se a cuidar. Para isso tenho que ter o mesmo relacionamento e compromisso com o meu corpo. É através dele que me permito viver todas essas experiências. 

A nossa casa física, é muitas vezes, o reflexo de como nos relacionamos com o nosso corpo, com a nossa mente. A forma como está organizada, cuidada, nutrida.

Então, para cuidarmos das nossas casas, temos que nos relacionar com todos elas de forma próxima, estabelecer uma relação de proximidade.

Cada vez mais nos é pedido para cuidar do nosso planeta, aquele onde podemos morar. O sítio que damos por garantido porque simplesmente não fizemos nada para podermos habitar nele, apenas tivemos que nascer! O mesmo com o nosso corpo físico, foi-nos dado, cedido e o melhor que podemos fazer para honrar essas duas dádivas que a vida nos deu é cuidar deles!

A forma como cuido do planeta é a forma como cuido de mim, do meu corpo. Esta consciência para mim é o suficiente para que eu possa fazer as alterações necessárias para os honrar, nutrir, cuidar e amar da melhor forma. Levar esse extensão de cuidado à minha casa física e assim encontrar o meu equilíbrio.

A grande Mãe que nos acolhe em sua morada, deixa-nos viver da forma que quisermos. Somos livres de escolher mesmo que para isso, seja ela a pagar um preço demasiado elevado. Podemos construir tudo, casas, escolas, estradas, todo o tipo de infraestruturas. Jamais poderemos construir uma nova Terra. 

Olha para a grande Mãe, para ti e para tua casa e percebe que alterações podes fazer para que o equilíbrio esteja presente na tua vida. Para que possas estabelecer uma relação privilegiada contigo, com o planeta e todos os que habitam nele.

” Onde há amor há caminhos”, por isso, escolhe o caminho que quiseres para semeares esse amor por todas as tuas casas. A tua colheita, depende do que semeares 🌱


RECEBER (14-setembro-2021)

Existem momentos na vida em que é preciso parar e receber. Receber o que a vida nos está a trazer. E a vida, inevitavelmente, traz-nos imensas coisas e de variadas formas. 

Nem sempre conseguimos alcançar as bênçãos disfarçadas que a vida nos traz mas é no silêncio e em nos permitirmos receber que conseguimos ver essas bênçãos.

Muitas vezes é no parar que está o movimento, que está a ação. Nem sempre é visível externamente mas internamente, há uma imensa mudança. 

Muitas dessas mudanças trazem dor, tristeza, frustração, medo, dúvida… Mas são elas também que nos tiram dos sítios que já não são para nós, que já não nos alimentam e que já não contribuem de forma positiva para a nossa evolução.

Quando nos colocamos no fluxo de receber, abrindo mão do controlo, com fé e esperança para o que vem, permitimos que as mudanças aconteçam e nos levem onde podemos ir! 

Hoje e apartir de hoje, permito-me receber de coração aberto todas as bênçãos que a vida, o universo, Deus, tiver para mim.


QUIETUDE (24-JULHO-2021)

Estes dias, esta palavra tem vindo muito à minha mente. Sinto no meu corpo esta necessidade. Sinto que me pede para parar um pouco… Muitas vezes respeito o que o corpo me pede mas nunca sem refletir porque me pede.

Esta quietude não vem de uma necessidade física de descansar, o corpo não está cansado. Esta quietude vem de um lugar muito mais profundo. Vem da alma. A alma precisa de quietude.

Estou, e estamos, constantemente a ser inundados de informação, de opiniões, de regras, de limitações, de estudos, de certezas que rapidamente passam a incertezas… Vivemos numa espiral que muitas vezes parece que nos engole. O dia chama, puxa por nós e vamos correndo para satisfazer tudo e todos, excepto, em grande parte das vezes, nós mesmos.

A alma precisa da quietude para se alinhar com a mente e com o corpo. 

Precisas de te escutar para poderes tomar as melhores decisões para ti, para poderes refletir, para poderes aprofundar algum assunto que precisa da tua atenção. Precisas de te aquietar para saíres da espiral e sentires qual é o caminho a seguir!

É quando te sentas contigo que te conheces, que és confrontado com a realidade. É quando te aquietas que podes olhar com verdade para o Ser que és e de que lugar têm vindo as tuas decisões. São por ti? São pelos outros? São para fazeres parte? São para não te sentires culpado ou culpada? São para agradar e te sentires amado ou amada? São a tua verdade? Respeitam os teus valores? Quando decides, estás a ser autêntico ou autêntica? Quem estás a Ser nesses momentos?

“Esvazia-te de tudo e preenche-te de nada”. É aí que estão as respostas certas para ti, para o teu caminho, para a tua evolução. É aí que te permites olhar nos teus olhos e ver o que precisas de ver. A quietude não nos isola nem nos afasta, pelo contrário, aproxima-nos cada vez mais da pessoa mais importante da nossa vida, nós próprios. 

Aquieta-te só um pouco a cada dia e escuta o que o silêncio tem para te dizer.

“Há uma voz que não usa palavras. Escute!” (Rumi)


posso ser a minha fonte de amor (14-JULHO-2021)

Desde cedo que nos ensinam a procurar nos outros algo que nos falta! Vivemos rodeados de contos de fada que toldam a forma como olhamos para nós e para os nossos relacionamentos. 

Acreditamos que alguém nos virá salvar, que alguém nos virá trazer o amor que nos falta e que é através desse amor que seremos felizes para sempre. Acreditamos que temos de salvar alguém, que temos que tomar para nós a responsabilidade da felicidade do outro… 

Tudo mecanismos que nos fazem não tomar a responsabilidade da nossa própria felicidade, de nos sentirmos amados e completos.

Partimos então na busca do outro meio círculo. Aquele que nos trará tudo aquilo que nos falta, tudo aquilo que desejamos, aquele que nos trará o nosso conto de fadas. Nesta busca, raras são as vezes em que paramos para pensar que se essa metade nos faltar, seja porque motivo for, voltaremos a sentir-nos incompletos. 

Quando partimos nesta busca, já vamos meio vazios, com a esperança que alguém nos preencha! Acabamos por ser meios círculos, todos à procura do mesmo e com as mesmas carências.

Finalmente quando encontramos alguém, sentimos-nos um círculo completo. A vida passa a ter outro sentido, sentimos que tudo está certo e que agora podemos ser verdadeiramente felizes!

Esta é uma grande ilusão. Na vida nada é permanente e tudo está em constante mudança! Partindo deste princípio, a nossa felicidade está assente em algo que não depende de nós e que a qualquer momento pode mudar.

A intenção dos relacionamentos saudáveis não é completar círculos mas sim a expansão de um círculo que já está completo.

Para isso, temos que aprender a ser a nossa fonte de amor! 

Neste momento podes estar a pensar como podes ser essa fonte. Na verdade é até bastante simples. Primeiro, pensa naquilo que procuras no outro, o que valorizas, o que queres receber. Depois reflete se quando vais para um relacionamento,  levas tudo isso que procuras no outro. E por fim, dedica-te a seres aquilo que procuras. Quando fores essa pessoa, quando o teu círculo estiver formado, mais cedo ou mais tarde, o círculo que te fará expandir irá encontrar-te!

Tu podes ser a tua maior fonte de amor, quando decides ter um caso de amor contigo e com a vida!

“O mundo exterior, espelha o que sentimos por nós mesmos.” (Anita Moorjani)


LEVES NADA A PEITO (07-JULHO-2021)

Li esta frase num livro muito inspirador. Quando a li, ressoou bastante em mim… Percebi que a maior parte das vezes levamos muito a sério tudo o que nos dizem e também o que dizemos sobre nós próprios…Sejam coisas boas ou menos boas!

A vida é corrida, as distrações são muitas, a desconexão conosco é muito, muito grande…

Quantas vezes temos atitudes e tomamos decisões baseadas em opiniões de outras pessoas? Quantas vezes vivemos em conflito com as pessoas que nos rodeiam e também conosco, apenas porque levamos tudo a peito, tudo demasiado a sério?

Caímos muito na tentação de achar que é tudo sobre nós! Esquecemos que nesta equação existe também o outro e que muito daquilo que diz, é sobre ele e baseado nas suas perspectivas.

Aquilo em que acreditamos condiciona a forma como vivemos a nossa vida. Se isso nos acontece a nós, acontece também às outras pessoas. Então, se todos temos experiências diferentes e acreditamos em coisas diferentes, acaba por ser natural emitirmos opiniões diferentes! Mas se isso é a verdade de cada um, porque a levo a peito? Porque vivo isso intensamente? Porque é que as verdades exteriores, grande parte das vezes, têm maior impacto e influência na nossa vida?

Acredito que tudo começa por não nos conhecermos e por levarmos a vida muito a sério!

Mesmo estando num lugar em que me conheço, ou que já conheço algumas das minhas partes, não posso levar demasiado a sério tudo o que a minha  mente diz sobre mim. É saudável criar uma distância de segurança entre o que nos dizem e também o que dizemos sobre nós!

Quanto mais deixas de levar tudo a peito, quanto mais te conheces e te escutas, mais libertas a necessidade de depender da opinião dos outros e de caber nas suas expetativas! Entendes que não és responsável pelas atitudes e opiniões dos outros, apenas pelas tuas!

Conhece-te, acolhe-te e respeita-te! 

A vida é breve, não te leves demasiado a sério, inspira-te e lembra-te, pode ser mais leve 🍀

“A vida é um espelho. Reflita a seu favor!”


Está tudo bem em não estar tudo bem! (30-JUNHO-2021)

Senti esta frase há uns meses, num momento de maior desafio de uma amiga. Esta frase naquele momento não era pra mim, era para ela mas, a verdade é que em algum momento é para cada um de nós.

São muitas as técnicas, as dicas e as informações sobre como mudar o nosso estado emocional, quando este não nos é benéfico. O nosso estado emocional advém de uma certa fisiologia combinada com um conjunto de pensamentos. Se agirmos nestas duas componentes, alteramos o nosso estado e emocional e isso, levar-nos-á a um estado ou resultado diferente.

Até aqui tudo certo! Perceber a nossa responsabilidade na forma como nos sentimos e como agimos em consequência disso, é ótimo! 

A verdade é que em alguns momentos, esta alteração, esta sensação de que está na nossa responsabilidade transformar o nosso estado, pode nos afastar de uma maior compreensão acerca de nós próprios. 

Muitas vezes fugimos do que sentimos, do que pensamos, das situações que vivemos provocando um estado que não é verdadeiro. Esta compreensão acerca do que conseguimos alterar e influenciar em nós, pode levar-nos a uma certa forma de escape. Este mecanismo leva-nos a viver na superfície e não na profundidade do nosso Ser, leva-nos a ser prisioneiros da mente que tudo faz para evitar a dor e a falha… É importante recordar que as dores, as falhas e os medos são tão importantes para a nossa evolução quanto as alegrias, as conquistas e os dias felizes. É a integração de todas as nossas partes que nos torna autênticos e completos!

Também é preciso chorar, sentir as nossas dores, as nossas tristezas, sentir confusão, sentir frustração, sentir raiva… Esta vulnerabilidade ao que somos e sentimos liberta-nos de máscaras e aproxima-nos da nossa verdade interior.

Tudo aquilo que reprimimos não deixa de existir, continua dentro de nós e mais cedo ou mais tarde, vai voltar. Voltará até que sejamos capazes de a integrar e acolher como uma parte nossa!

A nossa responsabilidade é fazer a aprendizagem, percebendo o que cada situação, emoção e sentimento nos mostra acerca de nós. Isto só é possível através da experiência, de viver e sentir tudo isso! Feita a aprendizagem e integração, aí sim, devemos alterar o nosso estado para termos a capacidade de ir ao encontro do nosso equilíbrio.

Aceita todas as tuas partes, tudo o que se manifesta, tal como é, sem a necessidade de fazer alguma alteração e depois… Depois  é só deixar ir!

“Somente quando temos coragem suficiente  para explorar a nossa escuridão,  descobrimos o poder infinito da nossa própria luz” (Brené Brown)


O ENCONTRO COM O DESCONHECIDO (23-JUNHO-2021)

Por norma o desconhecido pode trazer sentimentos de desconforto, de dúvida de desconfiança. Afinal, uma das principais necessidades do ser humano é a segurança. Este caminho para o desconhecido pode pôr em causa esta segurança e fazer-nos recuar…

Aquilo que precisamos de perceber é que tudo o que existe foi um dia desconhecido, pelo menos até ao momento em que alguém teve coragem, arriscou e partiu em busca de algo que muito provavelmente sentia que existia mas, que os olhos físicos não conseguiam alcançar.

O que seria de nós, humanidade, se um dia lá atrás, ninguém tivesse partido em busca de novas terras, novas culturas, novos povos, novos portos de abrigo? Tudo realidades desconhecidas até então!

Este caminho pode se feito no exterior, procurando novos desafios, novas pessoas, novas relações, novas experiências mas pode também ser feito no interior…

Quantas partes de nós desconhecemos? Quantas vezes nos focamos no interior para nos descobrirmos e termos uma visão ampliada de todo o nosso ser?

Este desconhecido continua a causar desconforto, muito pela nossa vontade de não querer ver a nossa sombra. Essa que existe, que faz parte de cada um de nós e é tão grande quanto a nossa luz… Só quem olha para dentro com o foco do amor, consegue iluminar todas as suas partes. Não são boas bem más, são nossas! Temos que as conhecer, abraçar, acolher e amar. Só assim conseguimos amar-nos verdadeiramente e transformar aquilo que for necessário transformar.

Quando abraçamos o desconhecido conseguimos finalmente abraçar todas os nossos fragmentos de alma, de experiências, de vivências, bem como, todas as infinitas possibilidades que o universo tem disponíveis para nós. Para o nosso crescimento, para a nossa evolução!

Abraça o desconforto, abraça a dúvida, abraça o medo. Simplesmente abraça e vê onde te pode levar… Pelo caminho respira, apenas respira! 

“A coragem é um caso de amor com o desconhecido” (Osho)

🔸https://youtu.be/HX9F5j-f7GA🔸


O poder do silêncio (26-Maio-2021)

Nos tempos que correm, poucos são os momentos em que estamos em silêncio. Poucos são os momentos em que nos conseguimos escutar e observar. Para isso é necessário fazer silêncio, com a boca e com o corpo…

Muitas vezes é neste silêncio que encontramos as respostas às nossas perguntas, que nos encontramos com o nosso desconforto, que olhamos para as nossas emoções de frente, sem as querer disfarçar ou esconder. É neste silêncio que nos encontramos com os nossos maiores medos e onde é possível conviver com eles, aprendendo o que nos contam sobre nós!

Este silêncio tem algo de curador e de assustador ao mesmo tempo! Assusta porque no silêncio do nosso interior está toda verdade e a verdade nem sempre é aquilo que queremos ver mas sim, aquilo que precisamos de ver. Ainda assim, traz cura e evolução ao nosso Ser. É neste mergulho na verdade silenciosa que mora em nós, que nos encontramos e seguimos o caminho que há muito traçamos.

Quando desligamos as distrações da vida exterior e nos permitimos silenciar, oferecemos à nossa alma um momento de expressão pura e verdadeira!

“Permite que o silêncio te leve ao centro da vida!” (Rumi)


A Liberdade nos compromissos (19-Maio-2021)

De forma geral, todos temos uma vida preenchida com várias tarefas e compromissos. O dia passa num piscar de olhos, o tempo voa como o vento! Muitas são as vezes que nos sentimos prisioneiros dos dias, das tarefas, das responsabilidades, dos compromissos.

Fazemos uma ginástica imensa para encaixar no nosso dia tudo aquilo que consideramos importante. Na maior parte das vezes, esses compromissos são mais com os outros do que conosco! A agenda vai ficando cheia e a sensação de liberdade vai diminuindo. Colocamos os outros, grande parte das vezes, em primeiro lugar e vamo-nos esquecendo de nós e de fazermos aquilo que nos faz sentir bem.

É preciso perceber que sempre que dizemos sim aos outros, sem termos essa vontade, estamos na verdade a dizer não a nós próprios! De cada vez que isso acontece, vamo-nos distanciando de nós e aprisionando-nos aos outros.

Acredito que existe liberdade nos compromissos do dia a dia, mas para isso, temos de estar alinhados com os nossos valores, com quem somos, com o que é realmente importante para nós.

É necessário deixarmos claro os nossos limites pessoais, reclamar o nosso espaço individual e não abrir mão dele! É preciso reservar momentos do nosso dia para nos nutrirmos e sentirmos que também nós temos um lugar no nosso próprio dia! 

Colocarmo-nos ao serviço de algo ou de alguém passa por sermos livres para podermos ser quem somos. É estar num lugar de autopreservação e de amor próprio que nos liberta e nos faz viver!

 “Sem liberdade, a mente humana não respira, o amor é asfixiado e a autoestima falece.” (Augusto Cury)


A busca da Perfeição (12-Maio-2021)

Buscar a perfeição terá um significado diferente para cada um de nós. A verdade é que muitos procuramos este conceito nas nossas vidas. A profissão perfeita, a relação perfeita, o corpo perfeito, a fotografia perfeita, a publicação perfeita, o dia perfeito, ser a mãe ou o pai perfeitos… Muitas vezes também me encontro neste sítio, nesta busca.

Agora pergunto-me, perfeição em relação a quê ou a quem? Muitas vezes a perfeição vem desde a necessidade que temos de nos comparar com os outros, com aquilo que são, com aquilo que têm ou com aquilo que representam.

A comparação pode ser potenciadora ou limitante. Quando é potenciadora, estamos num lugar de aprendizagem com o outro, de observação e união. Sempre que é limitante, faz-nos sentir frustrados, insuficientes e com a sensação de que somos inferiores… Faz-nos acreditar que estamos numa constante competição individual, separando-nos!

A comparação limitante começa desde muito cedo. Comparamos o tamanho das barrigas das mães, com que tamanho nascem os bebés, com que idade começam a andar, a falar, a escrever… Um sem fim de comparações que nos acompanham constantemente pela vida fora. Torna-se numa forma de vida! Tudo isto nos faz procurar ser como o outro, acreditando que seremos perfeitos dessa forma. O que não sabemos é que do outro lado, na pessoa com a qual nos comparamos, existe a mesma busca.

Quando nos permitimos libertar da necessidade de comparação limitante, ganhamos espaço para nos conhecermos verdadeiramente, para respeitarmos o nosso próprio processo individual e olharmos para a nossa vida como uma oportunidade de melhoria constante, segundo os nossos valores, intenções e propósito. O outro deixa de ser o foco e passo a ser Eu o centro da minha vida, da minha evolução enquanto pessoa. Aprendo que a perfeição está em cada momento, em cada aprendizagem e em cada transformação. Aceito que cada dia é o que é, aceito que faço o melhor que sei a cada momento e percebo que a cada dia que passa, melhoro naquilo que é realmente importante para mim. 

Sou perfeita na minha imperfeição!

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.” (Brené Brown)


De mãos dadas com o medo – O dia em que tudo começa! (28-Abril-2021)

Hoje dei por mim a respirar ao compasso de um pensamento. Refleti acerca dele e agora escrevo sobre ele. Assaltou-me o pensamento o medo de falhar, de fazer errado…Na verdade, este pensamento é transversal a muitos, mas de onde vem?  Tudo tem uma origem, uma causa. Enquanto pensava algumas imagens invadiram a minha mente. Imagens de crianças em casa, na escola, a brincar com os amiguinhos e recordei-me de momentos em que senti medo de falhar e ainda sinto, e de onde veio esse medo.Este medo anda de mãos dadas com a crítica e com a falsa noção de perfeição.

Desde pequeninos que as nossas falhas, os nossos erros nos são apontados e criticados por pessoas que nos parecem perfeitas, os adultos. Se eles nos criticam e nos apontam o dedo é porque não falham nem erram como nós. Crescemos a querer ser adultos o mais rápido possível, para podermos estar nesse lugar, o da perfeição. Chegados à idade adulta percebemos que o medo continua e que muitas vezes nos impede de fazer coisas novas, nos impede de mudar, nos impede de fazer escolhas e tantas outras coisas… Como temos medo de falhar e queremos ser perfeitos, escondemos os nossos insucessos, as nossas inseguranças e damos início à repetição da mesma história que passará de geração em geração. 

Pergunto-me, como teria sido na nossa infância saber que os adultos também falham, também erram? Como teria sido olhar para eles como pessoas que nem sempre tudo sabem, que não têm sempre razão e que, tal como as crianças,  continuam o seu processo de aprendizagem? Que tal a partir de hoje, olhar para os erros, falhas e dificuldades das crianças como o momento perfeito para lhes mostrarmos quem somos e como fomos em crianças, em vez de os criticar e julgar?

Ninguém saltou etapas de crescimento e se tornou adulto sem antes passar pelos desafios de criança. Vamos então dar a mão em vez de apontar o dedo, vamos contar uma história nossa em que não fomos bem sucedidos e mostrar-lhes que faz parte do processo de crescimento. Vamos ensinar-lhes que a perfeição é perfeita com toda a sua imperfeição. Vamos ensinar-lhes que de cada vez que falhamos ou não somos bem sucedidos, temos uma oportunidade de recomeçar e que estará sempre alguém para nos dar a mão, principalmente, nós próprios! Que o amor seja maior do que a dor e que a autenticidade prevaleça.

“O que é perfeito está concluído, só o que é imperfeito tem continuidade” (Bert Hellinger)